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Quatro Barras/PR

20 de ago. de 2011

História da Contabilidade


                                    João m s Nascimento -  Contabilista, Economista e Professor 

                                     1 INTRODUÇÃO

A história da Contabilidade não trata somente de uma seqüência cronológica da origem e evolução da Contabilidade, mas resgata a consolidação da Contabilidade, enquanto ciência, sua relação com importantes fatos históricos, seus fundamentos e implicações técnico-científicos, ressaltando os precursores desta ciência para o comercio e para o controle e sistematização das contas públicas, privadas e particulares.
Conhecendo a história, melhor se compreende a Contabilidade, seus momentos mais importantes e as relevantes influencias recebidas de suas diversas escolas, em seus respectivos contextos e épocas.
Traduzir a Contabilidade histórica em uma linguagem atual, buscando compreender as técnicas diversas implementadas, o surgimento do ensino da Contabilidade ou das Aulas de Comércio, significa compreender a Contabilidade como um processo continuo de evolução do Homem e da Ciência, lançando novas luzes ao futuro, o qual terá necessidades e desafios diversos daqueles que temos na atualidade.
Com a complexidade da sociedade atual e dos avanços tecnológicos, sofisticaram-se também as aplicações da Contabilidade e da função do Contador, que deixou de ser o Guarda Livros e passou a ser o responsável pela implementação de um nada simples Sistema tributário, com leis, normas, decretos, resoluções de difícil compreensão e aplicação e consultor das empresas e empresários em seus desafios e problemas diários, a governos e instituições na escrituração e controle patrimonial, e na gerações de informações para a tomada de decisões.
Da função única, ampliou-se e ramificaram-se as funções que podem ser exercidas pelo Contador, com atribuições próprias, correlatas ou sobrepostas. É possível, na Contabilidade, Especializações e pós-graduações, stricto e lacto sensus, construindo e elaborando novas proposições a essa Ciência que continua e continuará, sempre evoluindo e buscando contemplar as necessidades humanas nos diferentes campos em que influencia e naquelas, as quais, tornou-se, indispensável.

                                      2  história da contabilidade

A História da Contabilidade está ligada às primeiras manifestações humanas da necessidade social e a necessidade de registros do comercio.
Como percebemos, a origem da Contabilidade é bastante antiga, pois, há indícios de que as primeiras cidades comerciais eram os fenícios, sendo que, a prática do comércio não era exclusiva destes, sendo exercida nas principais cidades da Antiguidade. (Zanluka, 2009),
Embora as trocas de bens e serviços fossem registrados de forma simples, as cobranças de impostos, na Babilônia, já se faziam, de forma empírica, escritas, como ocorreu no Egito, 2000 a.C, onde foi encontrado evidencias de contabilização de negócios efetuados pelo governo.
As sociedades evoluíram e ampliaram-se as transações comerciais, havendo necessidade de registros comerciais mais refinados, ocorrendo, por volta de 200 a.C, em Roma, receitas de caixa classificadas em rendas e lucros e um grupos de itens classificados como despesa, como salários e outros.
Houveram várias inovações na Contabilidade introduzidas por governos e pela igreja, no período Medieval, não sendo nada tão significativo quanto o surgimento na Itália do termo, Contabilitá, a publicação do Liber Abaci, de Leonardo Pisano, em 1202, e a consolidação e divulgação do uso do Método das Partidas Dobradas, com o frei Luca Pacioli e seu Tratanctus de Computis Et Scripturis (Contabilidade por Partidas Dobradas), em 1494, na Itália.
Os relatos de registros e controles de bens remontam a pré-historia, sendo encontrado nas diferentes civilizações, em barro, pedra, papiro e outros materiais, inclusive na Bíblia, no Antigo e Novo Testamentos.
Datam do final da Era da Pedra Polida, as primeiras escritas contábeis, nas pinturas e gravações rupestres e primitivas.
Podemos citar os Gregos que escrituravam Contas de Custeio e Receitas, apurando, anualmente o saldo, estendendo essa escrituração para as diferentes atividades como: administração comercial, pública e privada.
E mais remotamente, a Contabilidade tem sua origem de fato, em Uruk, uma antiga cidade da Mesopotâmia, por meio de instrumentos encontrados estimados entre 8000 e 3000 anos a.C. (Costa, 2009, p.2),

                                      2.1   Leonardo Pisano e FREI LUCA PACIOLI

A Contabilidade passou a sofrer alterações e consolidações significativas na idade Média, a partir das obras de Leonardo Pisano e o Frei Luca Pacioli, na Italia:
A dinâmica evolução da ciência contábil, é didaticamente considerada como Contabilidade do Mundo Antigo (iniciando-se com a civilização do homem e vai até 1202 da Era Cristã, quando apareceu o Liber Abaci, da autoria Leonardo Fibonaci, o Pisano); Contabilidade do Mundo Medieval ( desde 1202 da Era Cristã até 1494, quando apareceu o Tratactus de Computis et Scripturis (Contabilidade por Partidas Dobradas) de Frei Luca Paciolo, publicado em 1494, ressaltando que à teoria contábil do débito e do crédito corresponde à teoria dos números positivos e negativos, obra que inseriu a contabilidade entre os ramos do conhecimento humano.
 (http://www.tvcontabil.com.br/SPED-e-NF-e/508.html)

Nessa obra, Pacioli enfatiza que à teoria contábil do débito e do crédito corresponde à teoria dos números positivos e negativos, sendo ele, matemático, teólogo, contabilista entre outras profissões, deixando muitas obras, como  a "Summa de Aritmética, Geometria, Proportioni et Proporcionalitá", impressa em Veneza, na qual está inserido o seu tratado sobre Contabilidade e Escrituração.
Pacioli, apesar de ser considerado o pai da Contabilidade, não foi o criador das Partidas Dobradas. O método já era utilizado na Itália, principalmente na Toscana, desde o Século XIV, discorrendo sobre livros mercantis: memorial, diário e razão, e sobre a autenticação deles; sobre registros de operações: aquisições, permutas, sociedades, etc.; sobre contas em geral: como abrir e como encerrar; contas de armazenamento; lucros e perdas, que na época, eram "Pro" e "Dano"; sobre correções de erros; sobre arquivamento de contas e documentos, etc.
A obra de Frei Luca Pacioli, que viveu na Toscana, no século XV, marca o início da fase moderna da Contabilidade. A obra de Pacioli não só sistematizou a Contabilidade, como também abriu precedente que para novas obras pudessem ser escritas sobre o assunto. (Zanluca, 2009).
No Mundo Moderno (1494 a 1840) podemos destacar a obra de Franscesco Villa:
Mundo Moderno: Período que vai de 1494 até 1840, com o aparecimento da obra: La Contabilità Apllicatta alle Amministrazioni Private e Pubblicheda autoria de Franscesco Villa, premiada pelo governo da Áustria. Obra marcante na história da contabilidade.
(http://www.sfredo.com.br/historia.htm)

Nesse período, destaca-se a Revolução Industrial, findando a estagnação de então, que deu-se até 1800. Com o aumento das corporações, crescimento das empresas e a transformações decorridas das mudanças de uma produção doméstica para uma produção fabril, foi necessário o aprimoramento dos registros e técnicas contábeis, tendo a Inglaterra, que ir buscar na Itália, as técnicas das partidas dobradas, adequando a contabilidade financeira à contabilidade industrial. (Costa, 2009).
Percebe-se que a Contabilidade evolui em consonância com as transformações políticas, econômicas e sociais.
Com o advento da crise econômica de 29, e a decorrente expansão das vendas de ações e surgimentos de novos negócios e a depressão que ocorreu, dizimando fortunas e gerando desempregos em gigantescas proporções, os contadores não ficaram ilesos, visto a expansão econômica acentuada, a necessidade e valorização dos contadores e ausência de padrões contábeis padronizados de escrituração e contabilização:

Os contadores não escaparam dessas críticas, pois pelo menos em parte, a concentração de poder poderia ser atribuída à falta de uniformidade das práticas contábeis, a padrões mais rígidos e as leis que impedissem os contadores e diretores de empresas se apresentarem, dentro de certos limites, os valores que desejavam. (Costa, 2009)

No período pós-guerra houve uma maior carência de informações gerenciais e contábeis, devido ao aumento de investidores na bolsa de valores, a economia inicia a lenta, porem, continua recuperação, surgindo assim, organismos e instituições, que viriam a estabelecer premissas e condições para que a contabilidade chegue até nossos dias da forma como a conhecemos.

                             2.2   as escolas de contabilidade

A história da Contabilidade é marcada com diversas escolas que marcaram e influenciaram a evolução da contabilidade, estabelecendo técnicas e princípios que ainda hoje estão sendo aplicados. 

2.2.1 Escola Contista
A escola Contista destacava no processo de escrituração, a personificação das contas, ocasionando o pioneirismo dos livros contábeis impressos, considerando como objetivo principal o processo e as técnicas relacionadas na escrituração e centralização das contas.
Benedeto  Cotrugli, em 1458, em seu manuscrito destacava o método das partidas dobradas, entretanto, não sendo um livro, ficou o mérito a Luca Pacioli, com suas obras como "Summa de Aritmética, Geometria, Proportioni et Proporcionalitá".

2.2.2 Escola Administrativa

A Escola Administrativa surgiu, impulsionada pela obra de Francesco Villa (La contabilitá applicata alle amministrazioni private e pubbliche), tendo como maior interesse a administração das entidades, tendo o contador que possuir domínio das técnicas contábeis e escrituração e amplo conhecimento de gestão.

2.2.3 Escola Personalista

Estabelece, de forma precursora, a contabilidade como ramo cientifico e o fato da entidade ser constituída pelo proprietário e as relações com os fornecedores, e agentes consignatários, estabeleceriam um vínculo jurídico entre as pessoas, baseada na teoria de Francesco Marchi e idealizada por Giuseppe Cerboni de que as contas deveriam ser abertas em nome de pessoas específicas, sendo físicas ou jurídicas. (Costa, 2009)

2.2.4 Escola Matemática
Essa escola considera a contabilidade apenas como uma forma de registro secundário e técnica sendo que o balanço não representaria a situação contábil patrimonial da entidade, mas apenas um conjunto de valores para se obter o conhecimento sobre a entidade.

2.2.5 Escola Controlista
Escola idealizada a partir da obra de Fabio Besta, La ragioneria, focada no usuário interno, segregando a administração em geral e econômica, sendo que a primeira voltada para administrar e a segunda destaca o patrimônio da entidade e sua utilização na geração de riquezas.

2.2.6 Escola Norte-americana

Destaca a certificação da profissão e busca suprir a falta de confiabilidade das informações, criando Instituições de ensino da Contabilidade, nos E.U.A, e institutos responsáveis por Certificações e divulgação de boletins sobre procedimentos contábeis, sendo sua principal colaboração a separação da contabilidade em gerencial e financeira, atendendo os usuários internos e fornecendo informações externas.

2.2.7 Escola neocontista

A Escola neocontista, surgiu na França, no final do sec. XIX, defendia a valorização das contas, relacionando as unidades de valor com a contabilidade, surgindo a fórmula usada até hoje, A=P+S.

2.2.8 Escola Alemã

Essa escola destaca a demonstração do resultado de exercício, surgindo teorias do balanço divididas em estática, onde confronta-se o balanço inicial e final para obter o resultado, orgânica, evidencia a importância da situação patrimonial e seus resultados e dinâmica, segregando o balanço do resultado, satisfazendo as necessidades dos usuários externos.

 2.2.9 Escola patrimonialista
 Destaca o Patrimônio, como aspecto mais importante da entidade, considerando a escrituração somente uma ferramenta contábil. Esse estudo dividiu-se em três partes: a estática, a dinâmica e a revelação patrimonial. (Costa, 2009)

2.3   a história da contabilidade no brasil

A contabilidade no Brasil começou de fato a se desenvolver a partir da chegada do Príncipe Regente D. João VI ao Brasil, em 1808 e a conseqüente implantação do Erário Regio e a adoção do método das partidas dobradas, importados de Portugal.
As aulas de comercio, oficialmente foram implantadas através de decreto de 1808, oficializado através do Alvará de 15 de julho de 1809, com a nomeação do Sr. José Antonio Lisboa, primeiro professor de Contabilidade no Brasil.
Obrigações das empresas, de enviar, em prazos determinados, ao governo, os balanços e demonstrações contábeis, passou a vigorar a partir de alterações no Código Comercial Brasileiro, através da lei 1083.
Em 1867 novos esforços foram feitos no sentido de implantar o Imposto de Renda, baseado na lei 514, de 1848.
Com a criação da Associação dos Guarda Livros da Corte, em 1869, surge o Guarda Livros, como primeira profissão liberal do Brasil. Até a primeira metade do sec. XX a contabilidade no Brasil sofreu influencias da Itália, considerada como berço da Contabilidade e do método das partidas dobradas.
O estudo científico no Brasil foi implementado de forma pioneira por Francisco D`Auria, introduzindo o patrimonialismo na Contabilidade Pública Brasileira.
A influencia da escola norte-americana acabou por quase extinguir a antes forte influencia Italiana, devido às multinacionais americanas, sendo elaborado, posteriormente, a padronização dos princípios contábeis, gerando uma expansão do pensamento contábil no Brasil.
Foi o senador Lyra, o primeiro profissional de CRC do atual estado do Rio de Janeiro, considerado patrono da Classe Contábil.
Os princípios contábeis, no Brasil, foram normatizados em 1976, pela lei das S.A., e aprimorada pela lei 6404 e alterações segundo a lei 11638/2007, que sofreu fortes influencias americanas e introduziu a correção monetária e reserva de lucros a realizar e separação entre a contabilidade comercial e fiscal e foi fundado o IBRACON, Instituto dos Auditores Independentes, com o objetivo de auxiliar na criação e divulgação das Normas e Procedimentos de Auditoria e de Contabilidade.

                                       3  CONCLUSÃO

O conhecimento da História da contabilidade possibilita melhor compreensão da forma que a contabilidade atingiu a nível atual, enquanto ciência e instrumento imprescindível para a sobrevivência das entidades, diante de desafios contemporâneos que exigem dos profissionais de contabilidade uma visão e compreensão sistêmica da empresa ou entidade, numa perspectiva presente e futura, para tomar decisões com um risco minimizado e suprir de informações os usuários internos e externos.
Em dezembro de 1971 foi fundado o IBRACON, Instituto dos Auditores Independentes, com o objetivo de auxiliar na criação e divulgação das Normas e Procedimentos de Auditoria e de Contabilidade, sancionados pela Comissão de valores Mobiliários e Banco Central do Brasil.  
Com o surgimento de leis, diretrizes e resoluções adequadas a contabilidade no Brasil além de satisfazer as atuais necessidades das entidades, consolidou-se como um campo profissional amplo capaz de absorver um numero crescente de profissionais formados pelas instituições de ensino superior e viabiliza a inserção de nosso país no contexto internacional, deixando o país ao lado de países mais maduros na área contábil, seja pelo grau de desenvolvimento econômico ou pela sua trajetória na história contábil mundial.

                                     REFERÊNCIAS
Costa, Jose M. da, Contabilidade Básica. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009.
Contabilidade: história acesso em 29/09/2009.
História e símbolos da contabilidade, <http://www.sfredo.com.br/historia.htm>, acesso em 29/09/2009.

Reis, A. de J.; Silva, S. L.; Silva, C.C.A., A Historia da Contabilidade no Brasil, disponível em:  http://www.revistas.unifacs.br/index.php/sepa/article/viewFile/299/247 acesso em 29/09/2009.
Zanluca, Júlio César. História da Contabilidade, disponível em: <http://www.uefs.br/portal/colegiados/contabilidade/menus/origem-da-contabilidade/ ?searchterm=universit%C3%A1rio> acessado em 29/09/09.

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