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Quatro Barras/PR

8 de dez. de 2008

A Construção do Conhecimento

João Mario dos Santos Nascimento
Economista e Professor


Como ocorre ou é construído o conhecimento é algo que sempre me fascinou, principalmente quando vemos jovens ou pessoas adultas com extremas dificuldades em compreender coisas aparentemente simples e outros, com uma explicação rápida, compreendem, assimilam e interiorizam o mesmo conhecimento, de forma que deixam aparentar uma obviedade assustadora.
Qual a diferença entre as pessoas que tiveram dificuldades e as que compreenderam com facilidade? É essa a questão que suscita tantas respostas e indica uma variedade de caminhos.

Se eu fosse construtivista, isto é, tomasse como premissa os pressupostos de Jean Piaget, poderíamos afirmar que a interação com o contexto e as interações disso decorrentes levaram a pessoa a criar uma estrutura interna, ou esquemas e uma adaptação a esse meio, condicionando a compreensão e assimilação, deste ou daquele conhecimento.

Podemos afirmar que Jean Piaget, partiu da idéia que os atos biológicos são atos de adaptação ao meio físico e organizações do meio ambiente, sempre procurando manter um equilíbrio. Assim, Piaget entende que o desenvolvimento intelectual age do mesmo modo que o desenvolvimento biológico (WADSWORTH, 1996). Para Piaget, a atividade intelectual não pode ser separada do funcionamento "total" do organismo (1952, p.7).
http://www.cerebromente.org.br

Nesse sentido ,WADSWORTH (1996) define os esquemas como estruturas mentais, ou cognitivas, pelas quais os indivíduos intelectualmente se adaptam e organizam o meio. Assim sendo, os esquemas são tratados, não como objetos reais, mas como conjuntos de processos dentro do sistema nervoso. Os esquemas não são observáveis, são inferidos e, portanto, são constructos hipotéticos. http://www.cerebromente.org.br

Assim, a assimilação seria o processo cognitivo pelo qual uma pessoa integra (classifica) um novo dado perceptual, motor ou conceitual às estruturas cognitivas prévias (WADSWORTH, 1996). Ou seja, quando a criança tem novas experiências (vendo coisas novas, ou ouvindo coisas novas) ela tenta adaptar esses novos estímulos às estruturas cognitivas que já possui. http://www.cerebromente.org.br

A construção do conhecimento pode ocorrer em qualquer contexto, seja na vida social, no trabalho, em casa, na escola, etc., entretanto, geralmente está associada a um curso ou à formação escolar regular, o que gera uma contradição, no mínimo, pois quando ocorre o conhecimento, ele não é separável em teoria e prática e possui uma grande correlação com interesses ou peculiaridades do indivíduo, sejam aptidões inatas ou grande interesse, que ocasiona a motivação e o resultado favorável.

Por isso, surge o ludismo como uma forma não mágica, mas mais atraente, estimuladora para a construção do conhecimento. Usando o brinquedo, a brincadeira, é possível desenvolvermos em nossos educandos o prazer em construir o próprio aprendizado. Acredita-se que essa construção faz com que nos sintamos realmente sujeitos de nossa história; e não meros repetidores e expectadores. As atividades lúdico-exploratórias vão contribuir no desenvolvimento pessoal, social, cognitivo, afetivo, físico e psicomotor. A educação, cada vez mais formal, padroniza o comportamento das crianças para que se adaptem, produzam bem e se integrem às expectativas familiares. Na correria de cada dia, não estão programados o cultivo da vida interior da criança e o tempo para ela se encontrar consigo mesma e descobrir o que gosta de fazer. Célia M. Melo

A proposta é que, por meio de atividades lúdico-exploratórias, as crianças liberem sua capacidade de criar e de reinventar o mundo, de expor sua afetividade e de ter suas fantasias aceitas e exercitadas para que, através do mundo mágico do faz-de-conta, possam explorar seus limites. A escola deve proporcionar atividades lúdicas para que haja a interação entre a criança e o objeto de estudo. Por meio dessa relação, é possível ocorrer uma interação maior entre o sujeito cognoscitivo e o objeto a ser conhecido. Para que elas possam compreender e reconstruir seu conhecimento, é imprescindível ocuparmos esse espaço estimulando o interesse e a participação delas. Célia M. Melo.

Entretanto, conhecer não é necessariamente brincar como parece, o ludismo aparece como uma alternativa viável na construção do conhecimento visto que essa construção é vista como algo exaustivo e não prazeroso e não raro, como quase impossível. É claro que é preciso considerar diferentes pressupostos para a essa construção, pois entendemos que eliminarmos as outras alternativas, seria restritivo e não indicado.

Por outro lado, considerando o contexto de sala de aula, a interação ou relação professor-aluno-objeto deve ser considerado como importante, pois a construção é coletiva e socializada, não parece ser possível construir o conhecimento se o sujeito está sozinho ou não obteve algum auxílio externo.

O professor pode ser um condutor ou mediador na elaboração ou re-elaboração do conhecimento, sendo que a medida que o aluno compreende o objeto com o auxílio do professor, o professor compreende melhor o objeto e ambos alteram a natureza do objeto tornando modificado ou pelo menos percebido de forma diferente, assim, o educador aprende tanto quanto ou mais que o educando, numa evolução bilateral e síncrona.

Para Jussara Maria Lerch Hoffmann:

"Se o aluno é considerado um receptor passivo dos conteúdos que o docente sistematiza, suas falhas, seus argumentos incompletos e inconsistentes não são considerados senão algo indesejável e digno de um dado de reprovação. Contrariamente, se introduzirmos a problemática do erro numa perspectiva dialógica e construtivista, então o erro é fecundo e positivo, um elemento fundamental à produção de conhecimento pelo ser humano. A opção epistemológica está em corrigir ou refletir sobre a tarefa do aluno. Corrigir para ver se aprendeu reflete o paradigma positivista de avaliação. Refletir a respeito da produção de conhecimento do aluno para encaminhá-lo à superação, ao enriquecimento do saber significa desenvolver uma ação avaliativa mediadora.

Aprender, é ficar sabendo, reter na memória, tomar conhecimento de, aprender por experiência própria. Dicionário Michaelis.

Ora, se a aprendizagem consiste também em aprender por experiência própria, podemos afirmar que é necessário um mediador em certos momentos, mas em outros a assimilação é um processo interno, onde o saber toma características peculiares ao sujeito, tornando-se como algo próprio e indissociável, o que chamamos de interiorização ou compreensão, sem recorrer mais à memoria, que pode não trazer a tona o referencial sobre certo objeto, seja por esquecimento ou alguma sinapse inconsciente.

É difícil verificar se houve ou não a aprendizagem dada a complexidade do processo e diferentes concepções de avaliação, pois, a ação de ensinar contém duas extensões. A primeira dimensão é a da ferramenta da intenção, a segunda é a da aferição do resultado. Assim sendo, mesmo com a maior intenção de ensinar, se a apropriação do conteúdo por parte do aluno não se efetivou, não teremos cumprido a ação de ensinar, pois a concretização da meta pretendida não foi alcançada, então não houve ensino, porque não se caracterizou a aprendizagem. Moretto,Vasco Pedro.

Assim temos o termo ensinagem , que conglomera então a ação de ensinar por parte do professor e a ação de apreender por parte do aluno, como uma sociedade cooperativa e intencional para atingir a finalidade da construção do saber consciente, crítico e reflexivo, no enfrentamento não só da constituição da aprendizagem, mas também da reconstrução desses mesmos saberes, dentro da sociedade globalizada que muda a todo instante. Moretto,Vasco Pedro.

Poderíamos então dizer que o sujeito que não compreendeu certo assunto ou objeto, não possui internamente uma estrutura ou esquema interno que possibilite alguma correlação com o contexto externo, não possibilitando a acomodação desse possível saber e a conseqüente assimilação. Também poderíamos inferir que esse indivíduo ou teve um mediador inadequado ou não teve nenhum mediador que o conduzisse e o auxiliasse nessa compreensão.

Seria adequado afirmar que o sujeito não possui os conhecimentos básicos e imprescindíveis, pressupostos para a assimilação desejada e que seus interesses e aptidões podem convergir para outros caminhos, senão diferentes do aquele necessário para aquele saber, pois sabemos que a vontade e o interesse são imprescindíveis para qualquer ação humana consciente.

Dewey (1902, p. 14), discutindo a importância de se buscar descobrir as percepções e interesses dos alunos, escreveu: “(...) selecionadas, utilizadas, enfatizadas [atividades de interesses dos alunos], podem marcar um ponto de virada para sempre na carreira inteira da criança; negligenciada, uma oportunidade se vai e nunca será retraçada". Célia M. Melo.

Logo, não temos pessoas incapazes de compreender, mas carentes de algum direcionamento ou da percepção dos possíveis caminhos, que possibilitem a compreensão própria, individual, de forma a tornar algo estranho, como seu, de forma legítima e consistente.

REFERÊNCIAS:

PIAGET, jean e INHELDER, Bärbel. A psicologia da criança. São Paulo : DIFEL, 1982.

PIAGET, Jean. Como se desarolla la mente del niño. In : PIAGET, Jean et allii. Los años postergados: la primera infancia. Paris : UNICEF, 1975.

PIAGET, Jean. Biologia e Conhecimento. 2ª Ed. Vozes : Petrópolis, 1996.

PIAGET, Jean. A equilibração das estruturas cognitivas. Rio de Janeiro : Zahar, 1975.

Série Idéias n. 22. São Paulo: FDE, 1994.

WADSWORTH, Barry. Inteligência e Afetividade da Criança. 4. Ed. São Paulo : Enio Matheus Guazzelli, 1996.









4 de dez. de 2008

... Etc...



João Mario dos Santos Nascimento
Economista e Professor
QUE TEMPO É ESSE


Estamos na era da informação. Considerando informação como resultado do processamento, manipulação e organização de dados seja num sistema ou para uma pessoa. Quando não ocorre uma significativa alteração após esse processamento, o que temos, no início do processo, não é informação, talvez dados, isto é, quaisquer registros ou indícios, coletados de forma sistemática ou não, relacionados a um fato ou evento, ou simplesmente um dado incompleto ou parcial.


Se possuímos tantas informações e conhecimentos, com descobertas científicas significativas, viagens espaciais e outros feitos maravilhosos, por que não avançamos nas concepções básicas ao ser humano, por que ocorre a inversão de valores, a violência, a perversão e tantos crimes envolvendo todas as classes sociais e níveis culturais?


Nos falta informação, conhecimento ou é o declínio de uma era?


Vejamos o que pode ser conhecimento:

Apropriação intelectual de determinado campo empírico ou ideal de dados, tendo em vista dominá-los e utilizá-los. (Unb).

Dominamos alguma coisa a ponto de utilizarmos de forma satisfatória e construtiva para toda a humanidade?

Parece bastante contraditório falar-se nos avanços da ciência, medicina, física espacial, genética e outros campos, enquanto um quarto da humanidade vive abaixo da linha da pobreza( g1.Globo) , e a humanidade geme diante de doenças seculares e arcaicas como febre amarela, e uma significativa parte da população mundial está desempregada, já que quase 200 milhões de pessoas estavam dempregadas em todo o mundo em 2007, (Estadão, 2008).


Enquanto isso, as pessoas ouvem até a exaustão discursos sobre trabalho em grupo, liderança servidora, governança corporativa ou que as empresas estão mais humanas e consideram seus colaboradores como "capital intelectual" ou como o principal ativo das empresas, mas o poder aquisitivo dos trabalhadores deteriora-se, sem levar em conta que o conceito de poder aquisito é bastante questionável::


"A noção de poder aquisitivo tornou-se, atualmente, tão inadequada quanto à de valor intrínseco, que ADAM SMITH combatia na sua época, mas isso não quer dizer que a moeda tenha perdido a sua relevância. Assim como a moeda não acabou, quando o conceito de valor intrínseco se tornou superado, ela não vai acabar, de novo, agora, em que a noção de poder aquisitivo virou pó." (Letácio Jansen) .

E então, o que podemos falar da comunicação na era do e-cidadão?

Esperamos que a comunicação in loco não diminua e encontremos variegadas formas de comunicação, além das formas convencionais , para suprir a carência de tempo ou dificuldades , utilizando blogs, redes sociais como Twitter e Facebook, Flickr , e outros, pois o individualismo ou o sectarismo só tende a piorar as coisas, assim, a comunicação a troca de experiências, sentimentos e emoções, e um certo altruísmo e humanismo pode minimizar, as concepções arraigadas ligadas ao consumo e concepções capitalistas de felicidade e alegria.

Onde estão as cantigas e brincadeiras de criança? Os "causos", as anedotas e as historinhas infantis, tudo ficou para trás como algo velho, mofado e fora de contexto, entretanto, são para aquelas épocas que recorremos para lembrar ou perguntamos a alguém, para enternecer o coração e sorrir espontaneamente com um ligeiro suspiro...

Apesar disso, provavelmente naquela época, muitos não consideravam aquele contexto como agradável ou bom, talvez nunca tenham percebido, e por isso, não conseguem resgatar um tempo não vivido.

Por isso, olhemos em volta e vamos buscar o que há de melhor em nossa época, auxiliar e colaborar positivamente em tudo o que estivermos envolvidos, vivendo intensamente os momentos, meses, anos, logo em tudo, para que se consolide, solidifique e alcance o incerto futuro, deixando para as gerações vindouras, um legado de trabalho, esperança e alegria.

2 de dez. de 2008

A HISTÓRIA RE-ESCRITA


João Mario dos Santos Nascimento
Economista e Professor


Não podemos olhar para trás sem re-interpretarmos com novos conhecimentos, experiências e perspectivas os fatos passados.

Quem é capaz de perceber, compreender e visualizar o fato histórico, considerando seus complexos aspectos e emaranhados ideológicos, políticos e econômicos?

As vezes penso que só percebemos tardiamente a relevância de certos fatos e não os compreedemos com a devida profundidade.

Por exemplo, há muito pensava que deveríamos de fato sermos independentes e autônomos,o que não significa o individualismo, pois o ser humano é resultado da interação e construção social, e as relações sociais não exigem que ninguém abra mão de sua individualidade, pelo contrário, é necessário autenticidade suficiente para não deixar-se levar pelas ideologias do dia, da moda ou outras imprtadas de contextos atípicos e estranhos que criam serem inertes e incapazes de encontrar um caminho ou alternativas para os mais simples problemas cotidianos. Entretanto, é um paradoxo, pois as pessoas tornam-se alheias e incapazes de perceber além do seu contexto, ficando indiferentes aos contrastantes conflitos socias, como se nada as atingisse ou, um "não é comigo".

Passam quase apáticos pelos fatos cotidianos que moldam e geram o contexto das gerações futuras, como se fôssem plenos de direitos e não tivéssem responsabilidades pelo mundo que deixarem após a partida, desta curta jornada, que é a vida.

Precisamos repensar nossas perspectivas, lermos mais, conversarmos mais e percebermos nossa tacanhez diante da profunda sabedoria de um homem do campo ou a profundidade de uma ingênua pergunta de criança, que sem querer, faz você pensar, sobre qual seria o sentido de tudo que fazemos ou do que pretendemos nesses entrecortados momentos, de nossa breve história.

Por isso, a crise americana é uma crise do modus operandi do homem nesse planeta ou da vida em sociedade, pois perdemos a capacidade de aprender o necessário, com o outro, consigo ou com qualquer situação aparentemente insignificante, conhecimento este, que seja aplicável, de forma simples e objetiva.

Voltemos ao passado, quando tínhamos mais agradáveis lembranças e o conhecimento do mundo suficiente para a sobrevivência , hoje, na vastidão dos Terabytes nos perdemos no silêncio e esquecemos de ouvir os pássaros ou de olhar vez ou outra pela janela, e ver o sol matutino, que como na infância, sempre nos traz um alegre dia.



BEM VINDO!

A força das idéias pode transformar o mundo, mas a força de nobres e elevados ideais poderá transformar os homens, o mundo e a história.